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06/12/2023

Ausência

 Há pouco

Havia muito. 

As palavras dançavam sobre as linhas

Reverberavam frente aos olhos.

Onde foi que eu as perdi? 

Permiti que se apagassem

Ou as abandonei como fiz a mim?

 

O branco do papel 

Denuncia a ausência do eu lírico.

Os versos não feitos

Refém à partida iminente das palavras.


Onde foi que eu as perdi?

No caminho para casa

Ou em terras longínquas?


14/03/2022

Sujeito simples

Ínfimas pétalas

Quanto a existência.

Desabrocham

E não crescem.

Nascem

E não perduram.

Tons áureos ao nascer

Em tons corados findam.

Há singularidade em sua forma

Delicadeza e amargura.

A ínfima existência de uma flor

Enraizada na dor que ainda perdura.

09/02/2022

O eu lírico

  Se choro
é por ternura
ou lamúria.
Se rio
me transbordo
e afogo-me. 

De dia
sou poesia
em versos simples.
À noite
sou a prosa
inacabada.

Às segundas
as palavras são companhia.
Nas tardes de domingo
o silêncio domina.

Eu sou calmaria.
Sou o silêncio da biblioteca lotada.
Sou as conversas de fim de tarde.
Eu sou as palavras não declamadas.

24/03/2021

Existência

O corpo

A mente

que já não me pertencem 

O corpo

machucado por mãos próprias

A mente

devorada pela balbúrdia das palavras

E eu

que já não era

fui ser em outro nome

O corpo descartável 

fez de mim um ensaio trágico 

E a mente

afogou-se em orações abstratas 

 

Sujeito

já não há


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