Há dias, em que as palavras são as únicas que podem me resgatar do vazio que se fez morada. As palavras, aquelas que rasgam o papel por tamanha euforia e sentimentalismo, são as únicas capazes de transmitir o que a tristeza tenta roubar. Na escuridão da minha mente, escrevo o que o coração há tanto tempo tenta confessar: angústia, inquietude e esperança. Ainda que a tristeza seja persistente, as palavras lutam contra o esgotamento da alma, e resgatam os últimos vestígios que se esvaíram no chão do quarto. O cômodo, que há pouco era um cenário vívido, naquele momento, abrigava memórias esquecidas sobre a bagunça inacabável.
29/09/2026
15/06/2026
O que a vida tem reservado para mim
Escrever tem sido o refúgio que, por muito tempo, eu deixei de lado. Mas as palavras tem sido as únicas capazes de fazer eu entender e superar o que eu tenho vivido. A maioria delas estão guardadas em uma folha dobrada ou no bloco de notas do telefone, mas estas vão ficar registradas nesse diário virtual, que também estava esquecido.
Junho também tem sido um mês de mudanças. Voltei a me alimentar melhor há um mês, e consegui eliminar 4kg nesse período, sinto que finalmente irei conseguir vencer a obesidade. Além disso, meu namorado teve que mudar do apartamento que ele morava, então, tivemos que fazer uma mudança em muito pouco tempo. Foi cansativo, mas deu certo. As horas que passei empacotando as coisas dele em caixas valeu muito a pena para mim, pude conhecer mais uma parte dele: desenhos antigos, brinquedos, memórias que estavam esquecidas, mas que consegui resgatar algumas delas.
Nós ainda estamos na metade do mês, mas muita coisa aconteceu, e sinto que ainda vai acontecer. Espero que sejam boas, mas não estou criando grandes expectativas, a vida tem sido muito difícil ultimamente. Termino esse relato com muita esperança de dias melhores, tanto para mim, quanto para quem esteja lendo.
Até a próxima,
Lily.
06/12/2023
Ausência
Há pouco
Havia muito.
As palavras dançavam sobre as linhas
Reverberavam frente aos olhos.
Onde foi que eu as perdi?
Permiti que se apagassem
Ou as abandonei como fiz a mim?
O branco do papel
Denuncia a ausência do eu lírico.
Os versos não feitos
Refém à partida iminente das palavras.
Onde foi que eu as perdi?
No caminho para casa
Ou em terras longínquas?

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