10/02/2025

Abismo

Uma madrugada inteira pensando não é capaz de tirar as minhas inquietações. Às 4h da manhã me levanto, a insônia, que a essa altura já se fazia morada há dias, me fez desistir finalmente. A cama vazia ao meu lado, as cobertas bagunçadas, também cansadas de não conseguirem me servir. Apesar do peso dos olhos, ardendo com a exaustão dos dias de muita luta, a mente se recusa ao descanso pleno. Não há o que fazer em meio a tantas conversas imaginárias, barulhos e gritos que ninguém é capaz de ouvir. É possível tanta balbúrdia interna sem que alguém consiga perceber? Será eu, um ser tão invisível aos olhos? Há tantas questões, desassossegos do íntimo, que as palavras são incapazes de descrever o que o coração há anos tenta confessar.

06/12/2023

Ausência

 Há pouco

Havia muito. 

As palavras dançavam sobre as linhas

Reverberavam frente aos olhos.

Onde foi que eu as perdi? 

Permiti que se apagassem

Ou as abandonei como fiz a mim?

 

O branco do papel 

Denuncia a ausência do eu lírico.

Os versos não feitos

Refém à partida iminente das palavras.


Onde foi que eu as perdi?

No caminho para casa

Ou em terras longínquas?


16/08/2022

Sutilezas

Os versos me delineiam por inteira. 

As palavras traduzem-me,

reinventam a singularidade do ser.

Ser sujeito

simples

composto

oculto.

Refém à pequenez do viver,

e à imensidão do sentir.

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