Uma madrugada inteira pensando não é capaz de tirar as minhas inquietações. Às 4h da manhã me levanto, a insônia, que a essa altura já se fazia morada há dias, me fez desistir finalmente. A cama vazia ao meu lado, as cobertas bagunçadas, também cansadas de não conseguirem me servir. Apesar do peso dos olhos, ardendo com a exaustão dos dias de muita luta, a mente se recusa ao descanso pleno. Não há o que fazer em meio a tantas conversas imaginárias, barulhos e gritos que ninguém é capaz de ouvir. É possível tanta balbúrdia interna sem que alguém consiga perceber? Será eu, um ser tão invisível aos olhos? Há tantas questões, desassossegos do íntimo, que as palavras são incapazes de descrever o que o coração há anos tenta confessar.
Floreios
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Retratos poéticos
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Ausência
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Poemas
Há pouco
Havia muito.
As palavras dançavam sobre as linhas
Reverberavam frente aos olhos.
Onde foi que eu as perdi?
Permiti que se apagassem
Ou as abandonei como fiz a mim?
O branco do papel
Denuncia a ausência do eu lírico.
Os versos não feitos
Refém à partida iminente das palavras.
Onde foi que eu as perdi?
No caminho para casa
Ou em terras longínquas?
16/08/2022
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